Espetáculo também tem Guilherme Weber no elenco e estreia em 20 de agosto no Teatro TotalEnergies
| Marco Nanini e Guilherme Weber estão no elenco de 'Fim de Partida'. Foto: Annelize Tozetto/Divulgação |
O clássico “Fim de Partida”, de Samuel Beckett (1906-1989), chega ao Teatro TotalEnergies - Sala Adolpho Bloch a partir de 20 de agosto, depois de uma curta temporada de sucesso na segunda edição do Festival do Teatro do Rio. A montagem tem Marco Nanini e Guilherme Weber no elenco.
Escrita pelo dramaturgo irlandês nos anos 1950, sob o impacto da Segunda Guerra Mundial, a peça apresenta um cenário pós-apocalíptico habitado por Hamm e Clov, personagens que representam um mundo marcado por ruínas físicas e emocionais. Mais de sete décadas após sua criação, a obra continua dialogando com questões do mundo contemporâneo e ganha uma nova montagem no Rio.
Em cena, Hamm (Marco Nanini) e Clov (Guilherme Weber) vivem uma relação de dependência física e emocional, marcada pela violência e pela crueldade cotidiana. Presos em um espaço claustrofóbico, os dois enfrentam uma realidade aparentemente sem sentido, em uma rotina marcada por repetições, jogos de poder e uma espera que nunca se resolve.
"Costumo dizer que Beckett, fica orbitando a cabeça dos atores contemporâneos, pois oferece um imenso desafio com os múltiplos caminhos que a sua obra permite", conta Nanini.
Para o diretor Rodrigo Portella, a relação entre os personagens é apenas uma das possibilidades de leitura da obra. A peça também pode ser interpretada como uma alegoria política, em que os personagens representam diferentes posições dentro de uma estrutura de poder marcada pela guerra e pelo militarismo.
"O primeiro seria a relação simbiótica entre Hamm e Clov, mas numa segunda camada a peça pode ser lida como uma alegoria política. Hamm surge como um déspota, um tirano arbitrário, figura que alude à lógica da guerra e do militarismo, cuja autoridade se funda no poder bélico e opressivo. Clov é o corpo submisso, o soldado em vigília permanente, sempre de pé, incapaz de repouso, a serviço de uma engrenagem que não faz nenhum sentido. A cena torna-se, assim, um campo de poder em ruínas", conta o diretor Rodrigo Portella, que chama a atenção ainda para uma terceira camada de leitura: a do metateatro.
A proposta também aparece na cenografia de Daniela Thomas, que cria uma espécie de palco dentro do palco em uma pequena caixa cênica retangular. A estrutura reforça a característica de metalinguagem presente no texto de Beckett.
"Clov é o clown, o operador da cena, o ridículo, enquanto Hamm assume a figura do ator principal, o narrador canastrão que se sustenta na fabulação de si mesmo. O teatro se dobra sobre ele próprio: Há um teatro dentro do teatro, um palco dentro do palco", resume Portella.
Marco Nanini, Guilherme Weber, Helena Ignez e Ary França em FIM DE PARTIDA
De Samuel Beckett
Direção: Rodrigo Portella
Tradução: Fábio de Souza Andrade
Direção de Arte e Cenografia: Daniela Thomas
Iluminação: Beto Bruel
Trilha Original e Direção Musical: Federico Puppi
Figurino: Antônio Guedes
Assistência de Direção: Zé Mancini
Visagismo: Leila Turgante
Comunicação: Pedro Neves
Gerência de Projetos: Carolina Tavares
Produção Executiva Montagem: Ártemis
Produtor: Fernando Libonati
Uma produção Pequena Central de Produções
Serviço:
20 a 30 de agosto
Dias e horários: Quintas e Sextas, às 20h. Sábados, às 19h00 e Domingos, às 17h.
Valores:
Plateia A: R$ 90 (meia) / R$ 180 (inteira)
Plateia B: R$ 25 (meia) / R$ 50 (inteira)
Duração: 90min
Classificação: +16 anos
Vendas em https://www.ingresso.com/evento/fim-de-partida-
Teatro TotalEnergies - Sala Adolpho Bloch (Rua do Russel, 804 – Glória)